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Pesquisa explica por que os bebês adoram sorrir, Matéria exibida hoje no jornal nacional

diego-san-700x450Com o intuito de compreender melhor como acontece o desenvolvimento social das pessoas, um grupo de cientistas da Universidade de Califórnia decidiu investigar um gracioso mistério: o que leva os bebês a sorrirem, especialmente para a mãe? Na tentativa de encontrar a resposta, acredite, eles recorreram a um robô — um “bebê robô” para ser exato.

A ciência já sabe que, em uma fase que geralmente começa entre o 8º e o 12º mês de vida, os bebês aprendem a usar gestos simples para conseguir o que desejam, como levar a mão na direção de um objeto que despertou a sua curiosidade, mas que está longe do alcance.

Antes disso, os bebês podem até realizar um ou outro gesto, mas as suas principais armas são o choro e as expressões faciais. Os sorrisos entram nessa parte, obviamente.

O sorriso é um dos movimentos que mais bem caracterizam o ser humano. É claro que a natureza do sorriso é complexa, mas, de modo geral, essa é uma ação que expressa bem-estar e, por ser autêntica, segurança. Note que, mesmo não sabendo exatamente como, você quase sempre consegue perceber quando alguém sorri de modo forçado, o que te faz ficar imediatamente desconfiado.

É por causa da associação com o bem-estar que adoramos ver bebês sorrindo. Os pais então não passam um dia sequer sem tentar extrair risadas de seus pequeninos. Mas como é que essa dinâmica funciona?

 

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Na primeira fase do estudo, os pesquisadores analisaram o comportamento de 13 crianças com quatro até 17 semanas de vida interagindo com as suas mães. Nessa observação eles constataram que as mães sorriem para seus filhos na expectativa de que eles sorriam de volta e passem o maior tempo possível assim.

Essa é a parte óbvia. O que não era tão óbvio assim é que os bebês também gostam do sorriso da mãe. Frequentemente, é para vê-lo que eles sorriem de volta. Mas há uma diferença nesse “jogo”: as mães buscam sorrisos mútuos; na maior parte do tempo, os bebês se interessam apenas pelo sorriso da mãe, ou seja, eles gostam de vê-la sorrir, mas, muitas vezes, não sorriem ao mesmo tempo.

Se os bebês gostam de sorrisos, em tese, quanto mais alguém sorri para eles, melhor. No estudo, os pesquisadores descobriram que os pequeninos adotam uma “estratégia” bem interessante para extrair sorrisos duradouros da mãe: em vez de sorrir enquanto ela sorri, os bebês o fazem nos momentos certos para que a mãe continue sorrindo. É como se eles pensassem “vixi, ela vai deixar de sorrir, é melhor eu dar mais um sorrisinho para ela não parar”.

Para descobrir se essa “estratégia” funciona mesmo, os pesquisadores partiram para a segunda fase. É nela que entra em ação o Diego-San. Trata-se de um robô com feições de um bebê apresentado pela universidade de San Diego (daí o nome) no início de 2013. Graças a um conjunto de 27 partes móveis, o robozinho é capaz de executar expressões faciais bastante realistas.

Olha, eu já me conformei com a ideia de que não vou conseguir dormir à noite por conta do que vi no vídeo, mas os cientistas garantem que o robô foi não foi feito para assustar. O Diego-San foi colocado na frente de 32 estudantes universitários e, para um cada um deles, fez movimentos faciais inspirados nas expressões de bebês reais durante três ou quatros minutos.

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Mesmo sendo um robô, o Diego-San conseguiu fazer o que os bebês fazem: seus curtos sorrisos fizeram os estudantes sorrirem de modo duradouro. Isso significa que estamos mesmo programados para agir dessa forma.

Há uma questão que ficou sem resposta: por que os bebês gostam tanto de sorrisos alheios, especialmente vindos da mãe? Se, quando crescidos, nós sorrimos ou rimos daquilo que entendemos (como uma piada), do que os bebês acham tanta graça se o poder de discernimento deles não é desenvolvido?

O psicólogo Caspar Addyman, da Universidade de Londres, vem tentando encontrar uma resposta. Mas ele já adianta: devemos ter cuidados nesses esforços, pois tendemos a colocar significados adultos sobre o que causa risos nos bebês. Isso pode nos levar a interpretações equivocadas. Colocando de outra forma: não podemos esperar respostas completamente objetivas.

Nos seus estudos mais recentes, que incluíram entrevistas com mais de mil pais em todo o mundo, Addyman concluiu preliminarmente que a interação é o que mais interessa para os bebês. Assim, se você faz cócegas neles, o envolvimento com a ação pode causar mais graça do que as sensações físicas do ato.

Bebê + mãe

Partindo daí, dá para presumir que o apreço dos bebês pelos sorrisos alheios vem da expectativa ou mesmo da interpretação da ação como uma forma de interação. Há outras hipóteses possíveis, como sensação de segurança, acolhimento ou mesmo diversão — se há uma coisa que os pesquisadores dão como certa é que as crianças começam a desenvolver habilidades sociais desde as primeiras semanas após o nascimento.

Se o uso de um robô como o Diego-San lhe pareceu estranho para esse tipo de pesquisa, saiba que podemos esperar por mais experimentos inusitados como esse. Não faz muito tempo que a ciência se deu conta de que estudar a reação dos adultos pode ser a chave para compreendermos o enigmático universo dos bebês. Nesse sentido, a tecnologia vem para ser uma aliada na recuperação do tempo perdido.

Soa como um tipo de estudo irrelevante, é verdade. O próprio Addyman percebe que, no meio acadêmico, o assunto é bastante negligenciado. Mas o tema é mais importante do que se pensa. A compreensão sobre o que se passa com os bebês pode resultar em soluções que remediam e, principalmente, previnem transtornos emocionais e cognitivos nas pessoas à medida que elas crescem.

Com informações: IEEE Spectrum, BBC