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Jornal nacional exibe materia sobre reservatório de Sobradinho e cidade de Casa Nova velha

 

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Faz quase três anos que não chove na região do Vale do São Francisco, no Nordeste do Brasil. O lago de Sobradinho, que é o maior reservatório da região, nunca teve tão pouca água para guardar. O que ainda tem deve durar menos de um mês.
O paredão que mede o nível da água nunca esteve tão exposto. Hoje, Sobradinho tem menos de 3% do volume máximo. É tão pouca água que das seis turbinas da hidrelétrica, apenas duas estão funcionando.
"Chegaremos ao final de novembro, início de dezembro ao 0% do volume útil", afirma João Henrique Franklin, superintendente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.
E 0% do volume significa a parada total da geração de energia em Sobradinho. A previsão é de dificuldades também na produção de frutas. Há ameaça de racionamento de água no projeto Nilo Coelho, o maior das áreas irrigadas.
“Nós temos, aqui na captação, água pra mais 40 dias. A partir daí nós vamos ter racionamento no Nilo Coelho", aponta Luciano de Albuquerque, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba.
O Vale do São Francisco tem 100 mil hectares irrigados. Produz dois milhões de toneladas de frutas por ano e emprega cerca de 250 mil pessoas.
Comunidades do entorno do lago agora são abastecidas por caminhões-pipa.
Repórter: Ainda tinha água aí pra beber?
Mulher: Tinha mas já estava acabando. Tinha pouca.
Quando o pipa atrasa, pequenos açudes que ainda não secaram totalmente são a única opção. Água de péssima qualidade.
Repórter: Essa água aí também serve pra beber?
Homem: É o jeito. Não tem outra não.
Já são quase três anos sem chuva na região. O cenário é desolador. Até as plantas mais resistentes do sertão estão morrendo.
Repórter: Isso aqui é a palma. Totalmente seca. Isso era a comida do gado?
Homem: Não, era criação de bode.
Repórter: E cadê os bodes?
Homem: Tive que vender, porque se deixasse aqui, iam morrer de fome.
Era difícil imaginar que a seca iria revelar, um dia, o que era a antiga cidade de Casa Nova, que fica num dos pontos mais profundos do lago. Esta é a primeira vez que ela reaparece depois que sumiu nas águas do Sobradinho, em 1977.
Foi logo depois da construção da barragem. Naquela época, os moradores da região inundada tiveram que se mudar – cerca de 70 mil pessoas. Povoados e quatro cidades foram construídos para abrigar as famílias atingidas.
Hoje, quase 40 anos depois, reapareceram o chafariz, a caixa d'água, pedaços das casas e parte do cemitério. Mara Lilian Castro tinha 26 anos quando foi obrigada a deixar a velha cidade. É como se ela estivesse passeando em sua própria história. São muitas lembranças.
"Nunca imaginei, hoje, com 65 anos, que ainda fosse ver pedaços, fragmentos desse chão que eu amei tanto e que eu amo até hoje", conta a professora.

 

Fonte :g1.globo.com/jornal-nacional